Cervejas de guarda. Como e por que guardá-las?

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Como e por que guardá-las?

Sabemos que todas as cervejas quando chegam até nós estão prontas para o deleite, no entanto, algumas podem ficar ainda melhores e complexas quando deixadas repousando por algum tempo antes de serem abatidas.

Neste post, vou tentar de forma sucinta passar algumas dicas básicas pra quem está pretendendo iniciar sua adega cervejeira.

Existem alguns parâmetros relacionados à cerveja e ao ambiente onde elas repousarão que merecem ser respeitados:

  1. Coloração: Deve-se optar pelas cervejas escuras, pois costumam produzir resultados mais acertados devido à interação entre os produtos da oxidação e os oriundos dos maltes escuros proporcionando maravilhosas notas amadeiradas ou que remetem a couro.
  2. Graduação Alcoólica: As mais alcoólicas são as candidatas, já que o álcool preserva as características da cerveja, permitindo que ela trabalhe melhor o processo oxidativo. Logo, é aconselhável a guarda daquelas com mais de 7% ABV.
  3. Intensidade de lúpulos: As IPAs e Imperial IPAs não são boas candidatas para o envelhecimento, pois apesar de algumas apresentarem alto teor alcoólico, as primeiras características que se perdem com o tempo são as relacionadas ao lúpulo, primeiramente os aromas e posteriormente o amargor. Desta forma, com a guarda, essas se tornam descaracterizadas.
  4. Refermentação na garrafa: A presença de fermento ainda vivo ajuda a preservação da cerveja e proporciona um ambiente ideal para o envelhecimento.
  5. Posição da garrafa: Todas dever ser armazenadas de pé, pois com isso evitamos um contato maior do conteúdo com o ar e principalmente o oxigênio presentes no espaço morto da garrafa, impedindo que a oxidação ocorra de uma forma indesejavelmente mais rápida; tal pensamento é equivalente para as latas. Como exceção há as cervejas vedadas com rolha de cortiça, pois após 6 meses este produto tende a ressecar propiciando a perda de carbonatação e até entrada de ar na garrafa; levando a consequências piores que o contato com o ar já presente na garrafa.
  6. Temperatura: A temperatura ideal para a guarda varia entre 13 ⁰C e 18 ⁰C, não devendo exceder os 25 ⁰C. No entanto, sabemos que isso é difícil sem uma adega com temperatura controlada. Porém, variações bruscas de temperatura são piores que temperaturas elevadas.
  7. Luminosidade: As cervejas devem ficar protegidas da luz, pois esta acelera certas reações químicas (o que não é desejado), além de levar a transformação de algumas substâncias do lúpulo em um composto de odor desagradável conhecido como MBT.
  8. Choque Físico: Balanços e vibrações, inclusive as produzidas por algumas geladeiras, são nocivos.

Dito isto, não fica tão difícil de identificarmos alguns estilos que seriam bons candidatos para a guarda: Imperial Stout, Barley Wine, Belgian Dark Strong Ale, Quadruppel, Baltic Porter, Old Ale, Doppelbock, entre outros.

Quanto a rótulos específicos, existem alguns já consagrados para esta finalidade e outros que constam em minhas experiências e de outros aficionados pelo assunto. São alguns deles (todos encontrados em solo brasileiro): Chimay Bleue, Cuvée Van de Keizer Blauw (experimentei a safra de 2002 que era um verdadeiro “licor dos deuses”), Cuvée Kasteel (3 anos de guarda foram sensacionais!), Chouffe N’Ice, Eisenbah Weizenbock, 3 Lobos Bravo, Fuller’s Vintage Ale, Dum Petroleum.

Espero que estas informações permitam que desfrutem de diferentes cervejas, ainda melhores, apesar do mesmo rótulo, utilizando apenas dois fatores: o tempo e a paciência.

Cheers,

José Junior
Author: José Junior

Médico, boêmio e entusiasta da boa culinária, Junior se especializa cada dia mais no mundo das cervejas estudando e degustando uma garrafa por vez.

One Response to "Cervejas de guarda. Como e por que guardá-las?"

  1. Marcio melo Posted on 9 de fevereiro de 2015 at 17:09

    Muito bom senhor junito!!! Completissimo o post!!
    Parabens, ja pode comecar a liberar a adega pra nos agora!!hahaha

    Abs!

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