Cervejeiro de fases

Categories: Mesa de bar

Toda pessoa passa por fases. Alguns dizem que os ciclos são fechados a cada sete anos. Outros, preferem se ater a décadas. Eu, bom, eu gosto mesmo é de passar por períodos de estilos de cervejas diferentes. Claro, por que qual a vantagem de escolher um estilo favorito e abrir mão de todos os outros?

Comecei a dar meus primeiros passos no mundo das cervejas com uns sete anos de idade. Calma lá, Juizado da Infância e da Juventude. Bebia, no máximo, as gotas finais de uma Malzbier, da Antárctica. Mas lembro até hoje do gostinho doce daquela época.

Depois, já na adolescência, passei pelas de sempre: Brahma, Cintra, Skol, Schincariol, Kaiser… Fiquei um bom tempo bebendo a cerveja que desse para pagar. Adolescência é fogo. Mas ela passa, ainda bem. Nessa época, lembro de ter dado atenção redobrada para algumas cervejas diferentes que surgiam vez ou outra, como a Skol Ice, a Brahma Bier e a Kaiser Bock.

Quando comecei a entender um pouco, mas bem pouco mesmo, sobre cerveja, me abriguei na clássica escola belga. Ali, errar é difícil. Podemos passar por estilos, marcas, mosteiros e, na mosca, ficamos sempre satisfeitos. Com o tempo, fui entendendo a importância das Pilseners e de seu sabor, e abri a mente quando me joguei de cabeça nas americanas.

Contando com mais de duas mil microcervejarias, o passeio pelos Estados Unidos pode tomar uma vida toda. E aí, voltar à clássica escola belga pode parecer andar para trás. Foi isso o que pensei quando abri, depois de muito tempo, uma belga, a Mont des Cats.

Mont des CatsEra um dia normal, à noite, provavelmente para embalar algum jogo na TV. Não esperava grandes surpresas, afinal, era só mais uma trapista. A oitava cerveja a receber esse selo. Porém, não tinha me preparado para o tapa que tomei ao dar o primeiro gole. É ótimo quando você é surpreendido. Dessa vez – sem firulas de cheiro, buquê, formação de espuma ou cor da cerveja – senti a diferença que uma boa cerveja faz na sua vida. A danada parecia sólida, como se tivesse que mordê-la a cada gole. O gosto era um maravilhoso reencontrar com o delicioso maltado, equilibrado no amargor e no calor dos seus 7,6% de álcool. Ô sensação boa, viu. Em instantes, várias experiências anteriores vieram à lembrança. Dias depois, no meu cantinho preferido para beber, me peguei com uma bela Rochefort 10 no copo. As belgas estavam de volta, e com tudo.

Luis Fernando Taylor
Author: Luis Fernando Taylor

Luis Fernando Taylor é publicitário, jornalista, roteirista, redator e ainda encontra tempo para beber cervejas. Formado pela escola da vida, carrega os calos nos cotovelos com o orgulho de quem já passou muito tempo da vida filosofando, ou só jogando conversa fora, no botequim.

0 Responses to "Cervejeiro de fases"

  1. Crisriano Barbosa Lima Posted on 2 de abril de 2014 at 12:39

    Um depoimento fundamentado. A maneira única que um verdadeiro colega de profissão poderia para compartilhar a experiência e a dica que deve ser certeira.

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