Como o tempo passa rápido. Faz exatos 4 meses que resolvi dar um pulo em Londres para ver como estavam as coisas. Depois de estabelecido, acho que já posso escrever um pouco sobre a realidade daqui. Como você já deve pensar, é claro que tive o prazer de poder beber algumas boas cervejas. Ok, algumas é exagero (para baixo). Bebi muitas boas cervejas. A maioria delas, inglesas. E é aí que o choque de paladares acontece.

No Brasil não damos tanta atenção à escola inglesa de cervejas. Temos tantas opções mais baratas, que as britânicas, todas posando de classudas, acabam ficando meio de lado. E caímos matando nas americanas ou nas brasileiras. Diferente destas citadas, as cervejas daqui são, em sua maioria, bem equilibradas, sem aquele soco de lúpulo que nos acostumamos a gostar. Muitas vezes, podemos nos esquecer de saborear cada estilo dentro de suas características e soltar um “Que cerveja sem graça”.

É claro que algumas artesanais (muitas delas aparecendo por Londres e arredores) apostam na receita americana e colocam no mercado IPAs e Imperial IPAs cheias de lúpulo, ou Stouts defumadas e cheias de notas de café e chocolate. Mas não são essas as cervejas que você pede no balcão de um pub tradicional. Lá estão as Fuller’s, as Taylor Walkers, as Young’s e as Sam Smiths. Todas com seu jeito bem inglês de ser.

Young's

Alguns pubs independentes estão espalhados pela cidade e é possível entrar num Brewdog ou no Craft Beer CO. e pedir uma Firestone Walker ou uma Stone. Mas são exceções.

Talvez estejamos confundindo cerveja boa com cerveja extrema. A porrada de lúpulo é boa, mas nem de longe é fórmula secreta para se fazer uma boa cerveja. É possível descobrir novos sabores, novas qualidades e texturas nas delicadas cervejas de escolas clássicas como as inglesas, alemãs, belgas e tchecas. Basta abrir os olhos, a mente e a boca, claro.

Cheers.

Luis Fernando Taylor
Author: Luis Fernando Taylor

Luis Fernando Taylor é publicitário, jornalista, roteirista, redator e ainda encontra tempo para beber cervejas. Formado pela escola da vida, carrega os calos nos cotovelos com o orgulho de quem já passou muito tempo da vida filosofando, ou só jogando conversa fora, no botequim.

One Response to "Foggy Beers"

  1. CARLOS FARIA Posted on 23 de janeiro de 2015 at 18:02

    Luis Fernando,
    Concordo que subestimamos a escola inglesa que é magnifica como a alemã, a belga, a tcheca e americana. E o legal é que tenho visto cervejarias americanas fazendo cervejas belgas, inglesas fazendo IPAs, alemãs e tchecos são mais focados na sua escola.
    Estive nos EUA em setembro e bebi excelentes cervejas em vários estilos.
    Claro que cada um tem seu estilo preferido, mas cerveja boa é cerveja boa em qualquer estilo. E eu, particularmente, adoro a complexidade dos maltes da escola inglesa.
    Cheers!
    Carlso Faria
    @casalcervejeirofaria

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