Três lúpulos

Categories: Mesa de bar

Para mim foi uma surpresa quando recebi o convite para escrever s obre cervejas. Sou, na melhor concepção da palavra, cervejeiro. Gosto de beber e, com o tempo, fui experimentando tantos sabores e estilos diferentes que já me considero um conhecedor das loiras geladas. Mas não vou muito longe. Não sou especialista em lúpulos ou maltes, sou uma pessoa comum, que gosta do que bebe e tenta beber sempre o melhor. Em tempos de sommelier de cervejas, degustadores profissionais e professores de cervejo-conhecimento, é bom poder ver que ainda existe espaço para um companheiro de copo escrever sobre sua bebida preferida.

Como falei ali em cima, tento sempre provar o que de melhor há nas lojas e gôndolas. E foi numa dessas experiências que provei a edição especial da Duvel Tripel Hop. Se o nome já traz certa familiaridade é porque Duvel é uma das nossas mais queridas belgas, muitas vezes porta de entrada para outros estilos de cerveja. Nessas edições, a Moortgat resolveu aumentar a lupulagem e dar uma cara diferente a um de seus principais produtos.

Como grande diferencial, a edição anual recebe três tipos diferentes de lúpulo: Saaz e Golding, como base e um terceiro, variável de acordo com o ano, adicionado também no dry-hopping.  No fim das contas, são eles que escancaram a personalidade da cerveja.

Na edição de 2012, a Duvel recebeu o lúpulo Citra. Recordo de abrir a garrafa e já ser recebido com o aroma cítrico (como o próprio nome já diz) que se repetiu no momento em que o coloquei no copo. O primeiro gole me lembrou aquelas limonadas geladas, que matam a sede depois de uma pelada jogada descalça pelas ruas do bairro. Cerveja refrescante e leve, apesar dos 9,5% de graduação. Uma paulada, que desce macio como deve ser. Após essa experiência, resolvi tirar a prova dos 9 e mandei abrir uma edição de 2013,onde quem manda é o lúpulo japonês Sorachi Ace.

Duvel Tripel Hop 2013Todo o frescor da 2012 deu lugar a uma experiência mais oriental. Bem mais contida, no aroma e no sabor, a Duvel Tripel Hop 2013 é elegante e zen como a cultura oriental. Os aromas herbáceos e térreos, como as primeiras gotas de chuva na terra, apareceram, mais uma vez, com muito equilíbrio. Lembre-se, estamos falando de uma cerveja com 9,5%. É um gole complexo, muitas vezes indecifrável. É, podemos aproveitar a ligação com a terra do sol nascente e brincar, apelidando essa cerveja de ninja já que, como esses guerreiros, é difícil de ser identificada.

Depois dessas duas experiências, quem teve que ser ninja fui eu. Primeiro, para encontrar o caminho de casa e depois, pé após pé, para caminhar em silêncio e não atrapalhar o sono da minha gueixa. Até o próximo gole.

Luis Fernando Taylor
Author: Luis Fernando Taylor

Luis Fernando Taylor é publicitário, jornalista, roteirista, redator e ainda encontra tempo para beber cervejas. Formado pela escola da vida, carrega os calos nos cotovelos com o orgulho de quem já passou muito tempo da vida filosofando, ou só jogando conversa fora, no botequim.

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